O disco surgiu de uma proposta pouco convencional: liderado por Sebastião Rosa de Oliveira (o Embaixador), músico e ator brasileiro que até esteve no cinema nacional na década de 1960, o trabalho é uma imersão em ritmos com fortes influências africanas e grooves dançantes organizados em duas longas sequências que ocupam os lados A e B do vinil — batizadas de Timolô, Timodê e Lido’s Square.

A sonoridade é marcada por percussão vibrante, guitarras em diálogo com o canto e uma energia que parece capturar tanto uma celebração quanto uma performance ritualística, refletindo uma ambição de traduzir “a música jovem africana” com expressões brasileiras. As faixas incluem “Walk By Jungle” (Embaixador), “Fareuá” (José Prates), “Harmatan” (Heitor da Costa), “Dandara” (Embaixador), “Pae João” (Wilson Guimarães), “Menina da Janela” (Heitor da Costa), “Oan” (Embaixador) e “Madrugada Sem Luar” (Ruy Barbosa). A gravação foi feita de maneira quase improvisada num único dia no estúdio Rio Som, com músicos rebatizados em dialeto nagô para reforçar a atmosfera de ancestralidade e comunidade sonora. Entre eles estiveram, além de Embaixador, Toninho Mil Acordes (guitarra), Aladim (bateria), Rui Barbosa (violão), Lápis (sincerro), Romildo (contrabaixo) e Nathalie (voz), além do núcleo percussionista apelidado com nomes nagô que contribuíram para o pulsar rítmico do disco.

O selo Goma Gringa Discos trouxe o álbum de volta à luz com uma reedição oficial em vinil em 2015 e sucessivas prensagens posteriores, cada uma acompanhada de encarte e pesquisa assinados pelo jornalista Itamar Dantas, que resgata a história de Embaixador e da Tribo Massáhi — um capítulo esquecido e fascinante da música brasileira que atravessou décadas como mito antes de ser finalmente documentado. Curiosamente, a própria trajetória de Embaixador - de ator a músico e de volta às artes em outras frentes - reflete a abrangência cultural que o disco pretendeu traduzir.

Para ouvir na integra, acesse nosso canal do Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=A_GuT9E6ZJY